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O custo real de um onboarding mal feito

Perder um talento nos primeiros 90 dias sai mais caro do que você imagina.

Janeiro 2025

Um terço dos novos contratados pede demissão nos primeiros seis meses. Na maioria dos casos, o motivo não é salário — é a experiência dos primeiros dias. Desorientação, falta de contexto e a sensação de que ninguém se preparou para a chegada deles.

Esse cenário se repete em empresas de todos os tamanhos. Startups que crescem rápido demais para estruturar processos. Corporações onde o RH está sobrecarregado com dezenas de admissões simultâneas. O resultado é o mesmo: o novo colaborador se sente invisível.

A conta que ninguém faz

Substituir um profissional custa entre 50% e 200% do salário anual, dependendo do cargo. Mas o custo vai além do recrutamento: perda de produtividade da equipe, conhecimento que sai pela porta e impacto no moral do time.

Um onboarding mal feito transforma uma contratação de meses em um problema de semanas. O gestor que passou semanas entrevistando candidatos vê o escolhido pedir demissão antes de completar o período de experiência.

E existe um custo oculto ainda maior: o impacto nos que ficam. Quando um colega novo sai rápido, os que permanecem se perguntam o que está errado. A rotatividade gera insegurança, e insegurança gera mais rotatividade. É um ciclo que se retroalimenta.

Segundo dados de mercado, o custo total de uma contratação fracassada — incluindo recrutamento, treinamento desperdiçado, produtividade perdida e nova busca — pode chegar a 3x o salário mensal do profissional. Para posições de liderança, esse número é ainda maior.

Os primeiros 90 dias decidem tudo

Pesquisas mostram que a decisão de ficar ou sair acontece nos primeiros 90 dias — muitas vezes, na primeira semana. O colaborador avalia rapidamente se a empresa corresponde ao que foi prometido na entrevista, se tem as ferramentas certas para trabalhar e se alguém se importa com a adaptação dele.

Um bom onboarding não é um tour pelo escritório e um manual de 200 páginas. É uma experiência planejada que responde às perguntas certas no momento certo: O que esperam de mim? Como funciona aqui? Quem pode me ajudar? O que preciso aprender primeiro?

Empresas que acertam nos primeiros 90 dias têm taxas de retenção no primeiro ano até 82% maiores. Não é mágica — é intencionalidade.

O que um bom onboarding resolve

Colaboradores que passam por um onboarding estruturado atingem produtividade plena 34% mais rápido. Mais do que isso: a taxa de retenção no primeiro ano sobe significativamente. O engajamento é maior. A satisfação com a empresa começa alta e tende a se manter.

O segredo não é complexidade — é personalização. Cada cargo precisa de uma trilha diferente. Cada departamento tem processos próprios. Um onboarding genérico é quase tão ruim quanto nenhum onboarding.

Um desenvolvedor precisa de acesso a repositórios, ambientes de desenvolvimento e documentação técnica. Um vendedor precisa conhecer o produto, o pitch, o CRM e o processo comercial. Um analista financeiro precisa entender sistemas, políticas e ciclos de fechamento. Tratar todos iguais é desperdiçar o tempo de todos.

Os erros mais comuns

O primeiro erro é achar que onboarding é responsabilidade exclusiva do RH. O RH estrutura o processo, mas quem executa no dia a dia é o gestor direto e o time. Se o gestor não está preparado, o processo falha independente de quão bom é o material.

O segundo erro é sobrecarregar o novo colaborador. Cinco reuniões no primeiro dia, dez documentos para ler, três sistemas para configurar. A intenção é boa, mas o resultado é ansiedade, não aprendizado.

O terceiro erro é não medir. Se você não sabe quanto tempo leva para um novo contratado atingir produtividade plena, como sabe se o onboarding está funcionando? Sem dados, é achismo.

Onde a IA entra

Com inteligência artificial, é possível gerar trilhas de onboarding específicas por cargo, departamento e senioridade — sem que o RH precise criar cada uma manualmente. O conteúdo é atualizado automaticamente quando processos mudam.

A IA também permite adaptar o ritmo. Se o colaborador avança rápido em um tema, o sistema pula para o próximo. Se demonstra dificuldade, oferece reforço. Cada pessoa tem uma experiência diferente, otimizada para o seu perfil.

Além disso, alertas automáticos avisam gestores e RH quando algo não vai bem: um colaborador que não completou etapas essenciais, que não acessou a plataforma em dias ou que sinalizou dúvidas em áreas críticas. Problemas são detectados antes de virarem pedidos de demissão.

O resultado: menos tempo até a produtividade, mais retenção e um primeiro dia que realmente funciona. O onboarding deixa de ser um checklist burocrático e vira uma vantagem competitiva na guerra por talentos.

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